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Quinta-feira, 10 de Setembro 2026
Colunas/FÉ

O barulho da cidade e a voz de Deus

Em tempos de ruído e pressa, ouvir Deus exige intencionalidade e silêncio

O barulho da cidade e a voz de Deus
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A cidade tem sons que não se calam. São carros, notificações, obras, alto-falantes, músicas, vozes – muitas vezes sobrepostas. Mesmo quando há silêncio exterior, a mente continua barulhenta: listas de tarefas, boletos a pagar, decisões a tomar, conversas a processar. Nesse ambiente de excesso, como ouvir a voz de Deus?

O profeta Elias enfrentou algo parecido. Depois de viver momentos intensos e milagrosos, entrou num vale de medo, angústia e isolamento. Escondeu-se numa caverna, exausto e aflito. Foi ali que Deus falou com ele – mas não no vento forte, nem no terremoto, nem no fogo. Deus veio num “sussurro suave” (1 Reis 19.12, NVT).

Elias precisou se calar para ouvir. Precisou sair da caverna não para falar, mas para escutar. Na cidade, onde tudo exige resposta rápida, isso soa estranho. Mas a voz de Deus continua preferindo os sussurros às explosões.

Silêncio também é espiritualidade

Vivemos dias em que o valor das coisas parece estar no quanto chamam atenção. Mas a fé cristã valoriza o recolhimento, o quarto fechado, o “coração quebrantado e contrito”. Jesus orava de madrugada, retirava-se para lugares solitários, cultivava pausas mesmo com uma multidão à espera.

Na cidade que grita, o cristão precisa aprender a calar. E isso não é fuga; é formação. O silêncio permite que a alma se alinhe com a Palavra. A oração sem pressa cria raízes. A escuta atenta molda a mente com discernimento.

Espiritualidade urbana com ritmo divino

O problema não é viver na cidade, mas adotar o ritmo dela como único. O Reino de Deus tem outro compasso. Ele inclui o descanso (o sabá), o retiro, a meditação, a solitude. Práticas espirituais que parecem “improdutivas” aos olhos do mundo, mas são fertilizantes invisíveis da alma.

Separar tempo para ouvir a Deus não é um luxo devocional, mas uma necessidade vital. Pode ser dez minutos antes do expediente, ou um intervalo sem celular à tarde. Pode ser uma caminhada com propósito de oração. Ou um domingo vivido como santo, não apenas como folga.

Quando a alma respira, a cidade muda

Há uma beleza silenciosa na presença de um cristão que sabe ouvir. Ele fala menos, mas com mais sabedoria. Age com compaixão, mas sem agitação. Toma decisões com consciência e paz. Esse tipo de presença transforma ambientes – não pelo barulho que faz, mas pela paz que transmite.

Que mesmo em meio ao caos urbano, você encontre espaços para escutar. Porque Deus continua falando. Só precisamos, como Elias, sair da caverna da correria e sintonizar com o sussurro divino.

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Sobre o autor:
Pedro Henrique Tertulino é pós-graduado em Teologia pela UniCesumar, com ampla atuação nas áreas de Teologia Prática, Bíblica e Sistemática. Professor no Seminário Teológico Batista Renovada em Maringá, dedica-se à formação de lideranças para uma atuação socialmente transformadora. Desde 2013, é pastor titular da Primeira Igreja Batista Renovada em Marialva Paraná

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Tertulino
Pedro Tertulino

Publicado por:

Pedro Tertulino

Pós-graduado em Teologia, sou pastor titular da 1ª IBR em Marialva e professor no Seminário Batista Renovada. Nesta coluna, compartilho reflexões sobre fé, teologia prática, educação e tecnologia aplicadas ao dia a dia.

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